GURGEL – INÍCIO E FIM DE UM SONHO

Na semana passada noticiamos o lançamento da pedra fundamental da NBR, a nova montadora brasileira de carros que teremos aqui. Esse assunto foi abordado por vários portais automotivos e para qualquer entusiasta ou para quem vive no mundo automotivo à algum tempo, quando é falado sobre fábrica nacional de carros, um nome vem à mente: Gurgel.

Podemos dizer que a Gurgel (fábrica) nasceu a partir de uma frase dita por um professor a João Augusto Conrado do Amaral Gurgel na Escola Politécnica de engenharia de São Paulo em 1949. Na escola, esse mesmo professor havia pedido o desenvolvimento de um guindaste como projeto de conclusão de curso mas Gurgel acabou apresentando um pequeno carro com motor de dois cilindros batizado de Tião. Foi aí que o professor disse a frase que marcaria a vida de Gurgel: Carro não se fabrica, se compra.

João Augusto Conrado do Amaral Gurgel tomou essa frase como um desafio, nos anos seguintes mergulhou de cabeça no ramo automotivo, em 1953, se formou no General Motors Institute nos Estados Unidos e trabalhou em grandes empresas como a Ford, onde pediu demissão em 1958 para dar início ao seu grande projeto.

Em 01 de setembro de 1969 nascia a Gurgel Motores S/A na cidade de Rio Claro – SP. O primeiro veículo foi o Ipanema, um tipo de buggy-utilitário, montado sobre plataforma do sedã Volkswagen de motor traseiro.

Não vamos listar todos mas segue alguns dos principais modelos que marcaram a história da Gurgel Motores S/A:

Xavante XT

Era uma mistura de jipe com bugue onde o chassi era uma união de plástico e aço que aliava alta resistência a torção e difícil deformação. Dispunha da simples e robusta mecânica Volkswagen refrigerada a ar com motor e tração traseira.

X-12 Tocantins

Seguindo a mesma fórmula de misturar jipe com bugue. porém com mais robustez e espaço, o Tocantins também utilizava a mecânica Volkswagen refrigerada a ar com motor e tração traseira.

X-15

Destinado ao uso militar, era um jipe de grande porte. A parte mecânica era da Volkswagen Kombi mesmo assim era um projeto com muita originalidade.

G800

Foi um monovolume que se assemelhava à Volkswagen Kombi. Tinha acabamento luxuoso e mecânica refrigerada a ar com motor e tração traseira.

Carajás

Foi o maior utilitário fabricado pela Gurgel. O grande porta-malas e o relativo conforto o diferenciavam dos demais jipes nacionais. Era equipado com um motor Volkswagen AP movido a gasolina 1.8 com 85 cv, álcool 1.8 com 97 cv (usados no Volkswagen Santana) ou diesel 1.6 com 50 cv (usado na Volkswagen Kombi diesel).

BR-800

Pode-se dizer que foi o primeiro 100% nacional pois sua mecânica foi desenvolvida na própria Gurgel. Seu motor, denominado Gurgel Enertron, não utilizava correias, bastante econômico (fazia até 25 km/l de gasolina), chegou a receber um prêmio inédito na Europa. Tinha apenas dois cilindros contrapostos e cuja capacidade cúbica era de 792 cm3, com potência de 36 cv, refrigerado a água.

Supermini

Foi uma evolução do BR-800, trazia um acabamento mais aprimorado, os vidros laterais desciam verticalmente (no antecessor, eram corrediços), e o porta-malas contava com tampa de acesso. Foi último automóvel que a Gurgel fabricou no país e simbolizava o auge da experiência empresa com desenvolvimento de microcarros.

Fim de um sonho

Claro que ao longo de sua história houveram outros carros e episódios que marcaram a trajetória da Gurgel em nosso país.

Em 1994 João Conrado pediu um empréstimo de US$ 20 milhões para manter a fábrica, mas o governo recusou e a falência foi decretada, fechando as portas em 1996. A empresa deixou dívidas de mais de R$ 280 milhões e uma fábrica que foi arruinada por vândalos e grande número de furtos de peças de maquinário e veículos. Um triste fim. João Augusto Conrado do Amaral Gurgel faleceu em 2009 aos 82 anos em decorrência do mal de Alzheimer. Existe uma teoria (que nunca foi provada) de que as quatro grandes montadoras instaladas no país (GM, Ford, Volkswagen e Fiat) tinham medo do crescimento da Gurgel e que trabalharam juntas para boicotar a empresa.

De qualquer forma a importância da Gurgel no cenário automotivo nacional sempre será lembrada, com uma produção de mais de 40 mil carros ao longo de sua história, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel nos deixou uma grande lição de empreendedorismo e ousadia.

E você? Acha que deixamos de contar algo sobre a Gurgel? Seu modelo preferido não foi citado? Conte-nos nos comentários!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *